Mundo alimentar: Descodificado o ataque de parasitas ao arroz
Microrganismo leva a planta alimentar mais importante do mundo à auto-destruição celular com aspirina falsa
O arroz é o alimento de base para cerca de metade da população mundial. No entanto, todos os anos, uma doença fúngica - a explosão do arroz - destrói colheitas que poderiam alimentar 60 milhões de pessoas. Os investigadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT) decifraram agora a forma como o agente patogénico ultrapassa as defesas das plantas de arroz. Os resultados abrem novas possibilidades para tornar o arroz mais resistente, com implicações diretas na segurança alimentar mundial.
O fungo da explosão do arroz encontra-se em mais de 85 países em todo o mundo. Não ataca apenas o arroz, mas também outros cereais. Uma infestação espalha-se rapidamente: Em poucos dias, aparecem grandes áreas de folhas mortas e a planta quase não produz grãos. Na Ásia e na América do Sul, a explosão do arroz é, portanto, tão ameaçadora para a segurança alimentar como o míldio nos cereais ou o míldio da batata na Europa.
Morte celular kamikaze: como o fungo engana o sistema imunitário da planta
A equipa do KIT investigou a forma como o fungo engana as defesas naturais da planta. As plantas não têm anticorpos como os humanos, mas têm o seu próprio sistema imunitário muito eficaz. Um componente central deste sistema é uma substância de alerta chamada ácido salicílico, que é o precursor natural da aspirina. Quando uma célula vegetal é atacada, o ácido salicílico desencadeia um programa de emergência: A célula morre de forma orientada, arrastando o agente patogénico para a sua morte e protegendo assim as células vizinhas.
Quando a defesa se torna uma armadilha mortal
O fungo da explosão do arroz utiliza este mecanismo kamikaze. Produz uma substância chamada piriculol, que é quimicamente semelhante ao ácido salicílico. "O fungo envia à planta um falso sinal de alarme", diz o Professor Peter Nick, do Instituto de Botânica do KIT. "A planta reage em pânico, desliga reacções de defesa importantes e ativa a morte celular autodestrutiva antes mesmo da invasão do fungo". Pode imaginar-se assim: "O fungo administra uma espécie de falsa aspirina à planta. Ativa o programa de defesa autodestrutivo das células, mas sem o efeito protetor real".
O fungo beneficia duplamente
O fungo da explosão do arroz beneficia duplamente da auto-destruição prematura das células da planta: O tecido morto serve-lhe de fonte de energia. Ao mesmo tempo, o sinal de falso alarme suprime precisamente os mecanismos que normalmente transformariam a morte celular numa reação protetora eficaz. Os nutrientes ficam à disposição do parasita, enquanto a resposta imunitária da planta é bloqueada.
Mais variedades de arroz "frescas" no futuro, em vez de uma reação de pânico fatal
Os investigadores também descobriram: "Há variedades de arroz que reagem de forma menos violenta ao ataque - mantêm-se frias, por assim dizer", diz Peter Nick. Estas plantas permanecem controladas e podem conter o parasita aproveitador. "Assim, poder-se-ia minar o mecanismo kamikaze, neutralizando o sinal de pânico". As variedades com esta capacidade podem ser especificamente criadas ou cada vez mais cultivadas, sugere Nick.
Importância para a segurança alimentar
O estudo fornece uma base importante para um melhor combate ao míldio do arroz no futuro - não só com fungicidas, mas também através de uma compreensão mais profunda da defesa das plantas. As regiões em que o arroz é vital para a sobrevivência da população serão as mais beneficiadas.
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