Café e luz do sol: uma combinação natural

A colaboração com a Sandia utiliza energia solar para torrar grãos de café

10.08.2026
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«Estamos no caminho certo. É assim que funciona a torrefação de café», afirmou Michael Sweeney num dia claro de outono no Novo México, enquanto torrava grãos de café utilizando energia solar nas Instalações Nacionais de Testes Térmicos Solares dos Laboratórios Nacionais de Sandia. «Estamos a ir muito bem e estamos exatamente na temperatura certa.»

Photo by Craig Fritz

Kate Sweeney, da Michael Thomas Coffee, esvazia os grãos de café que foram torrados utilizando o calor proveniente de uma plataforma de ensaios térmicos nos Laboratórios Nacionais de Sandia, no âmbito de um Acordo de Investigação e Desenvolvimento Cooperativo.

Sweeney, proprietário e gestor da Michael Thomas Coffee, em Albuquerque, tem vindo a colaborar com a Sandia no âmbito de um programa financiado pelo Estado para utilizar energia solar no aquecimento dos seus torradores de café.

A tecnologia desenvolvida pela Sandia armazena a energia gerada por painéis fotovoltaicos num leito de rochas, que depois dispersa o calor para alimentar o torrador, atingindo temperaturas que chegam aos 600 graus Celsius.

«Liberte um pouco mais de calor», disse Sweeney ao engenheiro mecânico da Sandia, Luke McLaughlin, durante o teste. Nas proximidades, McLaughlin controlava a quantidade de calor a libertar do leito de rochas.

«Trata-se de aquecimento solar indireto, porque a energia solar carrega calor eletrotérmicamente num sistema de armazenamento de energia de leito compacto radial, que depois o descarrega num tambor para secar e torrar café», explicou o engenheiro de sistemas da Sandia, Ken Armijo, que está a ajudar a liderar o projeto.

Muitos benefícios

A Iniciativa de Receitas Brutas de Prontidão Tecnológica do Novo México, ou TRGR, está a financiar o trabalho. O projeto visa desenvolver uma solução de integração para os torradores existentes alimentados a gás natural, que lhes permita utilizar energia solar térmica armazenada, com períodos de armazenamento que podem durar vários dias.

«Não se trata de aprender a utilizar uma nova máquina de torrefação. Trata-se de trabalhar com o seu torrador atual, que conhece extremamente bem, e apenas de o adaptar a uma fonte de energia diferente», afirmou Sweeney, referindo-se aos 300 dias de sol de Albuquerque. «Isto vai permitir-me encarar a torrefação, literalmente, sob uma luz diferente e olhar para o meu ofício de um ponto de vista diferente.»

Os benefícios do projeto vão além da poupança em comparação com a compra de um novo torrador elétrico.

«Queremos melhorar a eficiência, a qualidade e a produtividade dos seus processos de torrefação atuais, mais tradicionais», afirmou Armijo. «O nosso trabalho permitirá à Michael Thomas Coffee instalar um sistema de circuito quase fechado no seu parque de estacionamento e utilizar painéis solares no telhado do edifício para bombear ar quente a partir do sistema de armazenamento de energia térmica, a fim de facilitar a torrefação industrial.»

Hora do teste

Durante a experiência na Instalação Nacional de Testes Térmicos Solares, Sweeney e as suas filhas torraram grãos de café para torras claras, médias e escuras.

«Reduziu o tempo de torrefação em alguns minutos para a torra escura. Isso é semelhante ao que observámos com a torrefação de pimenta verde. O tempo de torrefação foi reduzido para metade com a energia solar, e os resultados ficaram mais uniformes do que na torrefação tradicional a gás», afirmou Armijo, referindo-se à experiência de 2022 em que o propano foi substituído por energia solar para torrar pimentas verdes.

Sweeney acrescentou que, durante o teste com o café, o torrador podia ser pré-aquecido e arrefecido mais rapidamente, o que significa um maior rendimento ao iniciar a torra seguinte mais cedo, levando a mais lotes em menos tempo.  

A arte do café

Quando questionados sobre o que torna uma chávena de café excelente, Sweeney e as suas filhas, que ajudam a gerir o negócio — que está a expandir-se para o comércio grossista —, concordaram que existem muitas facetas e fatores.

«A história do café é complexa. É tão fácil estragar tudo, e tão bonito quando o fazemos bem», disse Kate Sweeney. «O que nos torna bons é que estamos dispostos a aprender, dispostos a errar e dispostos a crescer.»

A família afirmou que, para cada pessoa, é o seu ritual pessoal que torna o café excelente. Do ponto de vista da arte, um bom café começa com a aquisição de grãos de qualidade e com o conhecimento da sua origem. Michael Thomas adquire café em pequenos lotes junto de agricultoras da Guatemala e oferece mais de 30 variedades.

«Trata-se também de garantir que o torramos da melhor forma possível», disse Kate.

A colaboração com a Sandia, através de um Acordo de Investigação e Desenvolvimento Cooperativo, foi uma escolha natural para a Michael Thomas Coffee. Os valores da empresa estão enraizados na consistência, na comunidade e na qualidade.

«O projeto solar está realmente a ajudar-nos a estabelecer ligações, num sentido mais amplo, com a indústria do café em geral», afirmou Michael.

Mais do que a torrefação de café

Para a Sandia, o objetivo final é expandir a tecnologia para outras aplicações e patenteá-la, para que novas soluções possam entrar no mercado para utilização comercial a curto prazo.

É aí que entra Bob Sleeper. Ele é especialista em licenciamento e desenvolvimento de negócios na Sandia.

«O meu objetivo é colocar este sistema industrial de armazenamento de calor e energia nas mãos de alguém que o possa comercializar», afirmou Sleeper. Para que isso aconteça, a Sandia está a estabelecer parcerias com empresas locais de transformação alimentar e incubadoras de startups, como o Programa Boost do Departamento de Energia, para encontrar uma equipa empreendedora capaz de causar impacto. «O sistema de armazenamento permite carregar o sistema durante o dia e ainda assim utilizar o calor à noite ou mesmo dias depois.»

O sistema é o mais recente exemplo da capacidade da Sandia de utilizar os recursos naturais do Novo México de formas que beneficiem a comunidade e impulsionem a inovação empresarial.

«Este projeto vai alargar os limites do que podemos fazer e poupar dinheiro às empresas, particularmente na indústria alimentar e de bebidas», afirmou Armijo, que vem de uma longa tradição de agricultura familiar no Novo México. «Podemos torrar grãos para cerveja e também podemos torrar chocolate.»

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