A Crespel & Deiters amplia a tecnologia de extrusão a seco da Happy Plant Protein
As proteínas texturizadas provenientes de leguminosas cultivadas na Europa estão agora a ser produzidas em Helmond, através do processo patenteado de uma única etapa da startup finlandesa de tecnologia alimentar
A Crespel & Deiters está a estabelecer uma parceria com a empresa finlandesa de tecnologia alimentar Happy Plant Protein, cujo inovador processo de extrusão a seco está a ser utilizado pela primeira vez na produção industrial nas instalações da empresa em Helmond, na Holanda. O objetivo é produzir proteínas vegetais texturizadas (TVP) de alta qualidade a partir de leguminosas cultivadas na Europa, tais como favas e ervilhas. Para a indústria alimentar, isto representa mais um passo importante no sentido de proteínas vegetais funcionais e de origem regional.
A Crespel & Deiters, uma empresa familiar, processa trigo desde 1858 e hoje considera-se especialista em refinação, transformando uma ampla variedade de matérias-primas vegetais em soluções funcionais. A parceria com a Happy Plant Protein faz parte da estratégia de refinação da empresa, através da qual está a expandir o seu portfólio de matérias-primas para além do trigo e a oferecer novos conhecimentos especializados em refinação. «Agora consideramo-nos refinadores de matérias-primas», afirma Philipp Deiters, Diretor de Estratégia Alimentar da Crespel & Deiters. «É por isso que procuramos ativamente parcerias com empresas cujas tecnologias complementem o nosso portfólio e know-how. Vemos um grande potencial na colaboração com a Happy Plant Protein.»
Etapas do processo: Dois tornam-se um
O processo patenteado pela Happy Plant Protein consiste no fracionamento a seco por extrusão, uma alternativa à classificação convencional por ar. Numa única etapa do processo, a farinha é separada em frações proteicas e de amido, sendo simultaneamente funcionalizada. O que normalmente requer várias etapas ocorre, portanto, de uma só vez: não são necessários isolados proteicos, produtos químicos ou processos que consumam muita água, e os componentes valiosos da matéria-prima são totalmente preservados.
A aplicação é particularmente adequada para leguminosas como a fava, que são uma novidade no portfólio de matérias-primas da Crespel & Deiters. Os texturizados têm um sabor neutro e estão isentos das notas amargas e a feijão frequentemente associadas às proteínas de leguminosas. A sua textura, comportamento de hidratação e funcionalidade podem ser adaptados a alternativas à carne, produtos híbridos, refeições prontas e snacks — todas categorias que continuam a registar uma procura crescente de proteínas provenientes de culturas cultivadas na Europa.
Helmond: Experiência em extrusão desde 1998
As instalações da Crespel & Deiters em Helmond, na Holanda, oferecem condições ideais para a ampliação da nova tecnologia: especializada em extrusão alimentar desde 1998, a unidade dispõe de modernas linhas de produção, bem como de um centro técnico com uma extrusora à escala de laboratório. É aqui que as inovações passam da escala-piloto para a produção em grande escala. Os parceiros estão a trabalhar com vários leguminosos, incluindo ervilhas e favas, para o seu aperfeiçoamento à escala industrial.
«A extrusão a seco da Happy Plant Protein permite-nos produzir ingredientes alimentares funcionais de forma sustentável e económica», afirma Philipp Deiters. «Em Helmond, combinamos o processo com o nosso know-how em extrusão para produzir TVP de sabor neutro a partir de leguminosas europeias. Estes ingredientes correspondem de perto às necessidades dos nossos clientes e proporcionam valor acrescentado tanto para o processamento posterior como para o perfil nutricional dos produtos finais.»
Para a Happy Plant Protein, esta cooperação marca a primeira implementação à escala comercial da sua tecnologia por um fabricante europeu de ingredientes já estabelecido. «A crescente procura por ingredientes de origem vegetal confirma que o nosso processo é um avanço importante», afirma Jari Karlsson, CEO e cofundador da Happy Plant Protein. «Esta parceria permite que os principais fabricantes processem facilmente proteínas vegetais de alta qualidade.»
A extrusão a seco já atraiu uma atenção considerável na indústria: na Food Ingredients Europe, em Paris, foi finalista na categoria «Solução FoodTech Mais Inovadora» em dezembro de 2025 e voltou a chegar à final na Proteinnovation Summit, na Áustria, em 2026. Com a tecnologia agora a ser aplicada à escala industrial, foi alcançado um marco importante.
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