O cacau da Amazónia pode tornar-se um superalimento

Investigadores brasileiros descobriram a glicina-betaína e a prolina em feijões não torrados como protectores naturais das células

18.03.2026
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O chocolate produzido na Amazónia é reconhecido internacionalmente pelo seu sabor único. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), no Brasil, mostrou que ele pode ser ainda mais valioso. A análise indica que práticas pós-colheita, como a fermentação das amêndoas do fruto, aliadas à escolha adequada do cultivar, podem melhorar a qualidade nutricional e o sabor do chocolate, ampliando o potencial de mercado do produto.

"Ao contrário da soja, do milho e do trigo, que são precificados por volume, o cacau é um dos poucos produtos agrícolas em que a qualidade é muito mais significativa na determinação do preço. Neste estudo, vimos que o cacau amazônico tem potencial para se destacar nas duas áreas. Por isso, selecionamos a melhor cultivar e as melhores práticas de pós-colheita para alcançar a qualidade nutricional e de sabor", disse Renato de Mello Prado, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) do campus de Jaboticabal da UNESP, que coordenou a pesquisa.

Apoiado pela FAPESP, o estudo foi realizado na Estação Experimental Frederico Afonso, que pertence à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), no estado amazônico de Rondônia. Lá, os pesquisadores avaliaram nove clones de cacau em dois sistemas de pós-colheita: amêndoas fermentadas, como no processo tradicional de fabricação do chocolate, e amêndoas pré-secas, sem fermentação.

A pesquisa contou com a colaboração de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) unidade de Porto Velho, Rondônia; da Universidade Federal de Rondônia (UNIR, campus de Rolim de Moura); e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM, campus de Humaitá).

"A fermentação é um processo importante na produção do chocolate. Sem ela, a amêndoa do cacau não desenvolve a cor e o aroma que conhecemos, mas há um custo nutricional significativo nesse processo", diz Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, bolsista de pós-doutorado da FAPESP.

"Por isso, sugerimos a criação de blends que combinem feijões fermentados e não fermentados como estratégia para equilibrar sabor e valor nutricional. Essa estratégia poderia valorizar o cacau amazônico no mercado de chocolate, seguindo uma abordagem muito semelhante à do setor cafeeiro", diz.

Os resultados mostraram que a fermentação das amêndoas de cacau diminui a quantidade de açúcares em mais de 95% e a quantidade de taninos em quase 50%. Os taninos são responsáveis pelo sabor adstringente. A fermentação também diminui os compostos fenólicos e as antocianinas, que são antioxidantes naturais. Ao mesmo tempo, aumenta os aminoácidos, a atividade das enzimas antioxidantes e os minerais como o potássio e o magnésio. O cacau não fermentado, por outro lado, retém níveis significativamente mais elevados de minerais como o fósforo e o cálcio, que são essenciais para a saúde óssea e cardiovascular.

"É por isso que defendemos uma combinação de uma base fermentada para fornecer a cor castanha e a textura aveludada, enquanto uma percentagem de grãos não fermentados actuaria como um reforço de antioxidantes e minerais, criando um equilíbrio entre sabor e saúde", explica.

A presença de glicina betaína e prolina no feijão foi identificada pela primeira vez. Estas moléculas defendem a planta contra o stress oxidativo e funcionam como poderosos antioxidantes para o corpo humano. "Elas funcionam como verdadeiros protetores celulares, o que pode transformar o cacau amazônico em um superalimento", destaca Mello.

A análise também mostrou variação entre as cultivares estudadas. O clone CCN 51 apresentou um perfil equilibrado, independentemente da fermentação. Já o clone EEOP 63 se destacou pela maior produtividade. O EEOP 96 manteve altos níveis de fenólicos e antocianinas quando os grãos não foram fermentados, sugerindo sua adequação para outros produtos além do chocolate tradicional, como nibs, ingredientes para bebidas e lanches saudáveis.

"Não existe um único clone ideal que deva ser promovido na região. Pelo contrário, o interesse está na combinação de diferentes misturas para cada finalidade. Por isso, esse estudo sobre seleção genética e manejo pós-colheita entre produtores de cacau da Amazônia é tão importante", conclui Traspadini.

Observação: Este artigo foi traduzido usando um sistema de computador sem intervenção humana. A LUMITOS oferece essas traduções automáticas para apresentar uma gama mais ampla de notícias atuais. Como este artigo foi traduzido com tradução automática, é possível que contenha erros de vocabulário, sintaxe ou gramática. O artigo original em Inglês pode ser encontrado aqui.

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