Por que razão as maçãs reagem de forma diferente às alterações climáticas do que o trigo

21.08.2026
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As alterações climáticas estão a afetar o rendimento das culturas — mas não na mesma medida para todas as plantas. Investigadores da Universidade Técnica de Munique (TUM) descobriram que os rendimentos também são influenciados pelo grau de dependência das plantas em relação à polinização por insetos. Estas conclusões sublinham a necessidade de a agricultura se adaptar às alterações climáticas.

Embora as alterações climáticas já estejam a ter um impacto negativo nas culturas, as quedas nos rendimentos têm sido, até agora, compensadas pelos avanços tecnológicos na agricultura. No entanto, no caso das culturas de campo que não dependem de polinizadores, esta tendência parece estar a inverter-se. Investigadores da TUM analisaram os rendimentos das culturas na Baixa Francónia e na Alta Baviera ao longo de um período de mais de 35 anos. Examinaram várias culturas, incluindo trigo, maçãs e cerejas. Enquanto o vento ou a autopolinização são suficientes para o trigo, as árvores de fruto e algumas culturas de campo, como a colza, dependem de insetos — e é precisamente esta dependência dos polinizadores que é crucial para o desenvolvimento dos rendimentos das culturas.

Os rendimentos do trigo estão a diminuir — as maçãs estão a beneficiar

Os rendimentos do trigo já estão a diminuir porque as temperaturas estão acima dos seus níveis ótimos. Devido ao solo seco e às condições mais quentes, as plantas estão a produzir grãos mais pequenos e em menor quantidade. Pelo contrário, as árvores de fruto ainda não registaram tais perdas de rendimento. Os investigadores suspeitam que, até agora, estas tenham beneficiado do aumento das temperaturas, em parte porque há menos danos causados por geadas tardias nas suas flores, o que lhes permite produzir mais frutos.

As alterações climáticas também afetam os polinizadores

No entanto, esta tendência durará apenas por um determinado período de tempo, observa Sara Leonhardt, professora de interações entre plantas e insetos na TUM: «Se o clima continuar a aquecer, as culturas que dependem de polinizadores enfrentarão um duplo stress.»

Por um lado, estas culturas também ultrapassarão as suas condições climáticas ideais. As plantas crescerão então com menos vigor e produzirão, por exemplo, flores mais pequenas que são menos atrativas para os polinizadores. Por outro lado, as alterações climáticas também afetam os próprios polinizadores. Dependendo da sua espécie e grupo, apresentam diferentes tolerâncias à temperatura. Assim, à medida que o clima muda, a comunidade de polinizadores numa região e o seu desempenho na polinização irão inevitavelmente alterar-se. Isto é particularmente verdadeiro para comunidades com pouca diversidade de espécies, como as que se encontram em muitas áreas agrícolas.

Os polinizadores como parte da estratégia climática

«As nossas conclusões confirmam a importância dos polinizadores para a agricultura — e o quão intimamente ligadas estão a biodiversidade e a adaptação climática», afirma Paula Prucker, doutoranda na TUM e primeira autora do estudo. «As estratégias de adaptação às alterações climáticas devem, por isso, não só ter em conta as necessidades climáticas das várias culturas, mas também apoiar de forma específica e sustentável os polinizadores.»

Segundo Johannes Kollmann, professor de ecologia de restauração na TUM e coautor do estudo, isto inclui medidas como áreas floridas e sebes como fontes de alimento e habitat, rotações de culturas mais diversificadas e uma redução na utilização de pesticidas. Tais medidas poderiam ajudar a garantir a polinização mesmo em condições climáticas em mudança e a estabilizar os rendimentos das culturas a longo prazo.

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